21 de novembro de 2009

Porcupine Tree

Foi a música que fechou o concerto de ontem, que foi espectacular! Foi uma agradável surpresa realmente, pois fui para o concerto conhecendo umas 2/3 músicas da banda, e saí de lá a adorar e a querer ouvir tudo deles!

16 de novembro de 2009

In chains - Depeche Mode

Foi o melhor concerto da minha vida e vi-o na primeira fila! xD

Fica aqui uma das músicas que mais gosto deles, e que me fez cantar e gritar feita doida =P

A rouquidão foi do melhor no dia a seguir! Mas valeu tudo a pena!

"Let me see you stripped down to the bone..."

3 de novembro de 2009

Arco-íris

“Pinta em mim as cores do arco-íris por favor...” pediu-me ela sussurando ao ouvido, com aquela voz doce como o mel, esboçando um sorriso tímido, como se fosse uma menina de 5 anos e não uma mulher adulta já.
Eu acedi ao seu pedido e procurei o meu estojo antigo de arte, que usava até à adolescência nas disciplinas de trabalhos manuais. O estojo estava até com pó, mesmo estando guardado no gavetão debaixo da minha cama, pois já não era usado há anos. Tirei os pincéis e as aguarelas de lá, fui buscar água à cozinha e quando voltei ela estava sentada de pernas cruzadas e braços repousados por cima dos joelhos, com os seus olhos grandes e escuros, envergando um sorriso maroto, olhando fixamente para cada movimento meu.
Quando preparava as coisas, ela chamou-me para perto de si, para eu me sentar em frente a ela. Beijou-me e começou a desenhar com os seus dedos na minha cara, depois pescoço e finalmente braços, provocando em mim uma onda de arrepios e sensações de prazer. O seu toque era tão subtil e ela tocava-me tão ao de leve, que fechava os olhos e era capaz de ouvir o meu coração bater apressadamente, era capaz de ouvir a sua respiração ofegante a misturar-se com a minha, capaz de visualizar tudo o que estava acontecer, apenas de forma mental e sensitiva.
Elas gostavam de ter espaço e tempo para ligar aos detalhes, aos 5 sentidos que os seres humanos têm, por isso concentravam-se para ouvir, ver, sentir, cheirar e saborear tudo em cada momento.
“Para te pintar, tenho que te despir a camisola e vendar os olhos, para que sintas o que estou a fazer e para depois quando vires o trabalho final ser uma surpresa, pode ser?” perguntou a pseudo-artista, ao qual a outra acedeu prontamente.
Após lhe tirar a camisola e vendar os olhos, pedi que se deitasse e pintei-lhe na barriga um arco-íris e uma cara sorridente, usando o umbigo como nariz, fazendo uns olhinhos de chinês por cima e uma boca enorme a sorrir.
Quando achei que a minha obra-prima estava acabada e bem feita, retirei-lhe a venda dos olhos, apercebendo-me que o soutien rosa completava a paleta de cores. Ela olhou para baixo maravilhada e desatou a rir por causa da cara que eu tinha feito por baixo do arco-íris. Abraçou-me e com a cara iluminada à meia-luz, devido à luz que se extinguia lá fora por causa do final da tarde, disse-me toda eufórica “Pintaste um arco-íris e uma cara sorridente em mim, tornando-me uma pessoa melhor. Agora só te falta fazer o mesmo por outras pessoas que também precisam de sorrir de forma espontânea e precisam esquecer a sua dor, como é o caso de crianças que estam em sofrimento por vários motivos, por exemplo, doença...”.
A ideia entrou-me na mente como um projéctil e fez com que se acende-se uma lâmpada que há muito tinha sido fundida, por falta de iniciativa ou coragem, que foi a de fazer voluntariado, ajudando crianças que precisam de preferência.
Dei-lhe a mão com força e senti uma onda energética correr entre nós, como a concretização de um objectivo, numa tarde cinzenta de Outono que à partida não tinha nada de diferente das outras, mesmo que fossem tardes luminosas, tendo esta um propósito.
Eu disse entusiasmada: “Já que gravei na tua pele essas cores todas e na nossa mente este momento único e lindo, acho que vou começar a pintar sorrisos de arco-íris onde puder.”
O final da tarde foi passado a rir e sentindo aquela felicidade conquistada aos poucos, da melhor forma possível, sendo esta acompanhada de sentimentos que flutuavam no ar, contacto físico intenso (misturando-se as tintas nos dois corpos femininos) e bonitas perspectivas futuras, que solidamente se tornariam projectos de vida.

2 de novembro de 2009

Plateau

As luzes incidiam sobre ela, cegando-a. Encontrava-se no meio daquele campo amplo e todas as luzes existentes, iluminavam-na. Ela só estava cega porque queria, pois tinha sempre a hipótese de fechar os olhos ou sair dali. Mas por preserverança ou teimosia permanecia imóvel no mesmo sítio, perdendo a noção do tempo ou de quem era naquele momento.
Uma chama ardia dentro dela, deixando que o que a cegava no exterior, chegasse ao interior também, inflamando assim todo o seu ser.
A cegueira exterior fez com que ela se concentrasse no seu interior, analisando os factos irreversíveis e inegáveis do seu passado, que vagueavam sem destino dentro de si, pois não conseguiam encontrar uma saída para o exterior. Essa libertação era necessária há muito, mas vinha sendo adiada, por falta de tempo e espaço, ou então por ela reprimir o que sentia e queria na realidade.
Fechou então os olhos e inspirou bem fundo, sentindo-se e sentindo o que estava à sua volta, pois de olhos fechados a realidade torna-se bem diferente, pois estar sozinha na escuridão pode ser assustador ou reconfortante, principalmente quando só o silêncio nos circunda. Tudo depende de como se lida com a situação. Ela optou por ficar calma ao tentar entender o turbilhão de sentimentos e emoções que iam dentro dela, ouvindo o seu coração e apelando ao seu lado racional, que lhe dizia para libertar tudo de uma vez por todas, pois o passado estava a consumir o presente há demasiado tempo e há coisas com as quais não se pode lutar.
Chega sempre o momento em que se tem de parar de lutar contra as coisas e principalmente contra nós mesmos, e ela apercebeu-se disso, quando se deu conta que não podia mesmo ver com aquela luz toda a incidir sobre os seus olhos frágeis.
Estudou todas as suas particulas ao pormenor, tentou recordar-se das coisas importantes da sua vida até então, sentir ao máximo o que o ambiente envolvente lhe transmitia e perceber o que queria naquele instante.
Chegou à conclusão que era ver com clareza, era sair daquele campo enorme e vazio, onde se sentia tão pequena como uma formiga e voar, voar o mais longe possível, para conhecer sítios novos e coleccionar lembranças inesquecíveis. Tudo residia na diferença dos seus actos, dos seus pensamentos e na forma de ver os sentimentos, através da introspecção e aceitação da iverosímel verdade.
Finalmente abriu os olhos. As luzes tinham baixado e agora que se sentia mais livre, podia caminhar firmemente e ver o que a envolvia, um campo à meia-luz, vazio, mas cheio de sentimentos libertados e energias renovadoras. E ela estava também cheia, pois as lágrimas tinham corrido pelo seu rosto e abandonado o seu interior confuso e preso há tanto tempo, dando-lhe a opção de optar entre fugir ou encarar de frente as suas escolhas. Ela optou por encarar a realidade e viver consoante a mesma, sendo sempre fiel aos seus objectivos e sonhos.
Correu velozmente pelo campo, sentindo o cheiro a relva molhada da chuva que começava a cair levemente sobre si, sorrindo com vontade e inspirando profundamente a sua liberdade.

5 de outubro de 2009