24 de junho de 2009
Rio
23 de junho de 2009
Under the Bridge
(Pj Harvey - Down by the water)
21 de junho de 2009
Sobriedade
O som trespassava-lhe a barreira de pele que protegia o seu frágil corpo, fazendo com que as feridas externas se fechassem, dando uma sensação de alívio. A música curava-a, o alcóol e a droga dentro de si ajudavam-na a libertar-se das feridas internas também, que a massacravam há já muitos anos.
Criava-se assim uma película envolvendo o seu corpo, como se fosse uma carapaça protectora, convertendo um corpo outrora frágil, em um mais resistente agora. Tudo rodopiava à sua volta e as imagens que os seus olhos registavam, passavam rapidamente diante de si, como se só ela estivesse parada. Observando tudo atentamente ao pormenor, distinguindo apenas pontos de interesse e focando-se neles, para mais tarde recordá-los de forma vívida.
As luzes e cores fortes do ambiente invadiam os seus olhos dilatados, enquanto que o suor se ia instaurando sobre a sua pele quente, pois dançava e saltava freneticamente ao ver o concerto. O suor escorria pelas suas costas arqueadas mais velozmente, o sangue subia à sua cabeça, o ar tornava-se rarefeito e o seu coração pulsava arrebatadoramente no seu peito. A sua mente girava, os seus pensamentos iam e vinham à velocidade da luz e dificilmente se centrava em algo concreto durante muito tempo.
A música envolvente do concerto chegava a si e embriagava-a duma forma mais autêntica do que se estivesse a ouvi-la nalgum aparelho tecnológico. Ali tudo era diferente, pois tinha pessoas à sua volta e consigo, em particular uma em especial, que a fazia se sentir não apenas como um invólucro para o seu prórpio corpo, mas uma pessoa viva e capaz de fazer os outros felizes. E, obviamente, também de ser feliz e viver apaixonadamente cada momento, cada pessoa, cada frêmito de vida que lhe era oferecido dia após dia.
Sentia a terra debaixo dos seus pés a vibrar e todo o seu corpo tremer com a forte voltagem de energia que saia das colunas, expandindo a música por um raio extenso à sua volta, para que todos pudessem ser contagiados com aquele concerto.
Segurava uma garrafa na mão, que também tremia pelos mesmos motivos e aumentava o seu grau de êxtase, cada vez que ingeria mais um pouco de sangria, que tinha a cor da paixão e o gosto doce do desejo.
A sua alma desprendia-se do seu corpo, voando livremente por entre as pessoas que se encontravam ao seu redor e ela apenas sorria, sentindo tudo com intensidade. Ela era invadida por uma energia agradável e viciante também, que a levava a libertar-se de todos os preconceitos que a sociedade lhe impunha por vezes e viver tudo ao extremo, sem se importar com o que as pessoas iam pensar ou não. Apenas era ela, autêntica e vivaz, engolindo aquilo que a vida lhe dava, e mastigando e deitando fora aquilo que a sociedade lhe queria impingir e ela não aceitava de forma alguma. Queria ser diferente e era, assumindo aquilo que sentia e vivendo abertamente a pessoa que queria que os outros vissem, quer gostassem ou não.
O cansaço não parecia chegar, mesmo ela já tendo a cabeça à roda nalguns momentos. Ia buscar energias no meio ambiente que a rodeava, nela própria e nos outros, que estavam num estado parecido ao seu e eram felizes naquele espaço e tempo.
Tudo acabou em sossego, após uma união de corpos e com o nascer do sol a raiar-lhe na cara no dia seguinte, quando resolveu finalmente ir dormir e sonhar com o que se tinha passado. Ficou apenas o vício da música, o bichinho de querer repetir a sensação de liberdade e felicidade vivida no concerto, e aumentou nela algo puro e belo, a que dão o nome de sentimento.
Nunca mais ficou sóbria desde então.
15 de junho de 2009
Squares and Circles
Este post vai parecer tão random, mas para mim tem significado, acreditem!
A escolha da imagem tem a ver com o facto de eu adorar quadrados, da minha mãe ter perguntado porque é que havia quadrados desenhados no chão da minha antiga escola (é para se jogar xadrez humano), de hoje ter visto na série Skins um parque de skate com quadrados desenhados nas rampas e as bolas de sabão foi por ter passado dias a ver pessoas se divertirem (e eu também) a fazer bolinhas de sabão com uma máquina xD
Hoje ocorreu-me a ideia, quando ia a caminhar na rua e a ouvir música, que a vida podia ser como quadrados e/ou círculos. Ok, a maioria de vocês deve estar a pensar "Pronto, ela queimou de vez!", mas não queimei nada. Tudo acaba por ser um círculo vicioso, certo? E a nossa vida podia ser posta como numa história em BD, aos quadradinhos, sendo cada quadrado uma cena da mesma.
E pronto, foi esta a lógica que me levou a fazer este post :p Era interessante fazer um desenho com isto, mas não sei desenhar loool. Também podia fazer uma montagem com esta ideia, mas agora não tenho tempo para isso, que os exames estão à porta e porque tenho preguiça, mas é uma boa ideia para o futuro, não acham?
P.S. Tenho escrito bastante e lido bastante, mas não sinto vontade de mostrar já nada, pois não acho suficientemente bom o que escrevo para mostrar já, desculpem... Eu sei que adoram ler as minhas coisas, mas estou numa de mistério e reestruturação interior, em todos os níveis. Mas daqui a uns dias já posto algo, prometo!
E hoje como estou lamechas (graças à parva da Irina q mandou um mail paneleiro), um muito obrigada a quem tem feito parte da minha vida nos últimos dias e me acompanha sempre! <38 de junho de 2009
Speechless
*Livre que nem um pássaro*
2 de junho de 2009
Haja alguém que tenha falado verdade porra!
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenha calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu que tenho sido cómico às criadas do hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenha agachado, Para fora da possibilidade so soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e fala comigo Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe; Todos eles príncipes na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecadp, não uma infâmia; Que contasse não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos, Arre estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos, mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que tenho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
1 de junho de 2009
Turn away, Run away
You leave in the morning
With everything you own
In a little black case
Alone on a platform
The wind and the rain
On a sad and lonely face
Mother will never understand
Why you had to leave
But love that you need
Will never be found at home
And the answers you seek
Will never be found at home
Turn away, run away, turn away, run away, run away ...
Turn away, run away, turn away, run away, turn away ...
Pushed around and kicked around
Always a lonely boy
You were the one
That they'd talk about around town
As they put you down
But as hard as they would try
To hurt to make you cry
You never cried to them
Just to your soul
No you never cried to them
Just to your soul
Turn away, run away, turn away, run away, run away ...
Turn away, run away, turn away, run away, turn away ...
Esta música é linda e foi a ouvi-la que escrevi o seguinte texto que aqui vou pôr. A letra é triste, mas a Mia disse-me quando a ouviamos "Esta música dá mesmo vontade de pôr a mochila às costas e partir...". Esta frase motivou-ne a escrever o que já muitas vezes senti vontade de fazer e nunca tive coragem.
Vira as costas e parte, abandona tudo o que conheces e julgas ter como certo na tua vida e caminha livremente para o desconhecido.
Desafia-te a ti mesmo e não te deixes paralizar pelos rostos tristes e hesitantes que deixas para trás, pois não são eles que te trarão a paz e felicidade que necessitas neste momento, para te sentires completo novamente, inteiro e livre como outrora.
Caminha com passos firmes e sem medo, pois se souberes para onde queres ir e o que procuras, não te perderás de certeza. E se perderes, serão os medos e inibições que te prendiam a uma vida banal.
Permite a liberdade aos teus pés, às tuas mãos, aos teus olhos, a cada partícula do teu corpo, que pede vibrantemente para correr e fugir dos sítios que conhece e que o sufocam.
Deixa a tua mente vaguear, gravando as novas imagens que vês ao longo do percurso e assimilar as mudanças pelas quais passas e eram necessárias para evoluires.
Só quando acabares a tua reestruturação interior é que puderás voltar para casa e mudar o que estava mal, observando com olhos novos a realidade que não vias ou ignoravas. Serás mais calmo, apto e decidido, terás mudado alguma coisa no mundo, ao torná-lo melhor com a tua mudança.
Sê corajoso e segue em frente, não olhes para trás.
(29/05/2009)
